Chama-se Heráldica, a arte de formar e descrever Brasões de Armas, também designada ARMARIA ou Arte do Brasão. Teve seu princípio por volta do século XII, contudo sua origem vem a ser mais remota do que se pensa. Os símbolos pessoais e familiares são antiqüissimos e com eles veio a Heráldica, quando eles foram utilizados dentro dos escudos de combate. Esta Arte esteve ativa até o final do Século XVIII, quando a febre política da República, um movimento novo que tomava conta do mundo desde a Queda da Bastilha na França, extingüiu, por vezes a fio de espadas, o Ofício de Brasonaria. Muitos Mestres D'Armas foram assassinados, Famílias inteiras eram banidas por continuarem ostentando seus Brasões nas soleiras de suas casas e Armoriais, livros que continham os Registros Brasonários desde o século XII, foram queimados em praça pública, tudo isso porque os republicanos temiam que através desses simbolos o povo continuasse ligado à Monarquia ou até mesmo, reinvidicasse a sua volta. Sob a constante ameaça das lâminas republicanas foi fácil impedir que isso acontecesse. Alguns clãs, no entanto, conseguiram fazer com que a Tradição da Brasonária ficasse viva até os dias de hoje. Ocultaram os Armoriais em seus porões, alguns foram embalados em baús de madeira tratada, ou de louças e enterrados em suas Quintas. Outros, na clandestinidade, conseguiram passar de Mestre para Discípulo e de pai para Filho a Arte da Heráldica. |
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| O escudo é tradicionalmente composto de nove partes ou zonas, com vista à descrição da localização das peças no seu campo. |
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| Antes do mais, há que ter em atenção que a direita e a esquerda do escudo são definidas em relação ao cavaleiro que o usaria, e que, portanto, estaria por trás do escudo. |
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A linha que delimita exteriormente o escudo é o bordo do escudo. |
Bordo do Escudo |
A zona superior, principal e mais nobre do escudo é o chefe. |
À Direita do Chefe |
Chefe |
À esquerda do Chefe |
| Por extensão, todo o terço superior do escudo é, por vezes, designado por chefe, embora em rigor o chefe seja apenas a zona central do topo do escudo. |
Chefe (por extensão) |
As zonas laterais do escudo são os flancos. |
Flanco direito ou dextro |
Flanco esquerdo ou sinistro |
O centro do escudo é o coração ou abismo. |
Coração ou Abismo |
A zona inferior do escudo, oposta ao chefe, é a ponta ou contrachefe. |
Cantão dextro da Ponta |
Ponta |
Cantão sinistro da Ponta |
Da mesma forma que sucede com o chefe, designa-se por vezes por ponta todo o terço inferior do escudo. |
Ponta (por extensão) |
Finalmente, existem dois pontos especiais que merecem uma designação própria: o ponto de honra, entre o chefe e o coração, raramente usado, e o umbigo do escudo, entre o coração e a ponta, de uso ainda mais raro. |
Ponto de Honra |
Umbigo do escudo |
Os Metais
Os Esmaltes
As Cores
As Peles
Arminho Natural
Plumetes: Rarissíma essa representação de pele. |
PEÇAS INTERNAS1. Honrarias
2. Os Animais
Algumas posições usuais na representação heráldica do leão.
No campo do brasão podem aparecer um ou mais leões, sendo que o número
total não pode ser superior a dezesseis.
Brasão de armas destacando-se a figura do grifo.
A presença
do leão no brasão de armas insinua força, grandeza, coragem, nobreza de condição.
Também caracteriza domínio e proteção, condições que deve ter um superior sobre
aqueles que domina. Alguns animais quadrúpedes utilizados na heráldica.
Alguns exemplos de castelo em brasões de armas.
Tanto nos brasões portugueses
quanto nos espanhóis o castelo representa, muitas vezes, aliança com a casa real de
Castela. Nos brasões portugueses concedidos na segunda dinastia, os castelos são
alusivos a feitos de armas praticados no ataque ou defesa de praças de guerra do norte da
África e outras conquistas. Os castelos sobre ondas representam feitos ligados a praças
marítimas.
A torre, o torreão e o torreão ardente.
A flor-de-lis em várias representações.
Quando acontece de um brasão ser
carregado de flores-de-lis, o que é comum em brasões franceses, se diz flordelizado e se
a mesma aparecer cortada ou sem pé, então deve ser dita de "pé morto"; quando
a representação vier acompanhada de dois botões ladeando uma pétala de maior tamanho,
é denominada flor-de-lis florentina. Como timbre não é comum. Todavia aparece nos
brasões de armas dos Macieira, Macoula e Maciel. Brasão dos Nápoles, contendo flores-de-lis por ligação com a Casa Real francesa. A Cruz
Exemplos de brasões de armas contendo cruzes.
Unicórnio (Licórnio) em brasão de armas.
O Dragão no Brasão dos Beuax de França |
O elmo era uma das partes mais importantes da
armadura dos cavaleiros medievais, uma vez que protegia a cabeça de golpes e pancadas que
frequentemente poderiam ser fatais. Ainda hoje, os capacetes dos motociclistas e pilotos
em geral exercem uma função idêntica à dos elmos
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Sabe-se que os guerreiros usaram capacetes ou alguma forma de protecção para a cabeça desde a Idade do Bronze, e gregos e romanos fizeram desses capacetes a parte mais importante e vistosa do seu equipamento. Mas só no século XII a evolução das artes da guerra e da tecnologia militar levou à necessidade da utilização de elmos fechados, como protecção contra as flechas dos archeiros, cada vez mais eficazes, e também contra os golpes das espadas, machados e maças de armas.
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![]() Reprodução de um elmo fechado do século XII utilizado pelos Cavaleiros Templários |
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Alguns tipos de elmos, mostrando a sua evolução em linhas gerais |
A forma dos elmos registou diversas evoluções e alterações, desde os mais antigos, quase cilíndricos, apenas com uma fresta para os olhos, até aos elmos de parada dos séculos XVIII e XIX, profusamente decorados e já meramente ornamentais. O elmo heráldico clássico, porém, é o elmo de torneio, de viseira articulada, aberta ou com grades, característico dos séculos XV-XVI. |
Elmo de torneio, dito "de boca de sapo" (c. 1480) |
Elmo de torneio, de viseira aberta (c. 1510) |
Elmo cerimonial, com viseira de grades (1558) |
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São estes os três tipos de elmos mais representados em Heráldica e as suas correspondentes estilizações na Heráldica |
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Os elmos foram, na verdade, fundamentais nos torneios e justas, e isto condicionou em certa medida a sua própria evolução (bem como a das armaduras). A violência do embate entre dois cavaleiros que procuravam derrubar-se mutuamente com as lanças levou ao desenvolvimento dos elmos, os quais se prolongaram até proteger totalmente o pescoço e descendo para os ombros de forma a poderem fixar-se solidamente no tronco da armadura. É esta a origem da forma mais divulgada do elmo heráldico. Por outro lado, quando os torneios deixaram de se disputar com lanças e passaram a consistir apenas num combate com maças de armas, o elmo deixou de precisar de ser tão fechado na face e surgiram as viseiras de grades, cuja representação heráldica, em certos países, é exclusiva da nobreza. |
| Foram ainda os torneios que difundiram a utilização de figuras sobre os elmos, como forma de facilitar o reconhecimento da identidade do cavaleiro e aumentar a sua visibilidade pelos espectadores. Estas figuras eram, normalmente, uma das peças pintadas no escudo, e originaram os timbres no desenho heráldico. A sua riqueza decorativa é inegável, mas muitos brasões ostentam timbres que seria fisicamente impossível colocar sobre um elmo, ou que nenhum cavaleiro conseguiria equilibrar na cabeça |
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Timbres dos Sousas e dos Pereiras, no "Livro da Nobreza e Perfeição das Armas", de António Godinho (1516-1528) |
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Em rigor, o elmo heráldico deve ter de altura a mesma medida que a largura do escudo, e o timbre a mesma altura do escudo; mas raramente se encontram desenhados com tal precisão. |
Proporções ideais do elmo e timbre |
Na heráldica portuguesa, o elmo é o principal distintivo da nobreza, papel ocupado noutros países pela coroa. O elmo pode constituir uma peça móvel do brasão, caso em que é normalmente representado cerrado e de perfil, devendo indicar-se, ao brasonar, o seu número, esmalte e posição; mas a função essencial do elmo na heráldica é figurar como ornato exterior do escudo, colocado sobre o seu bordo superior. Quando o elmo tem a viseira levantada, diz-se aberto e é colocado a três quartos; com a viseira descida chama-se cerrado e põe-se de perfil. |
Diz-se guarnecido de outro esmalte o elmo que tem na viseira e no seu bordo inferior uma virola ou filete desse esmalte. |
Elmo guarnecido de ouro |
Para a nobreza, o elmo deve ser de prata. O elmo de ouro deve ser posto de frente e o seu uso compete apenas aos reis, príncipes de sangue real e duques soberanos. Embora em alguns casos surjam elmos postos de frente em brasões de nobres titulares, tal prática não deve ser aceite. Alguns autores, contudo, não reconhecem valor histórico às distinções nos elmos. Note-se que Jean du Cros, no Livro do Armeiro-Mor (c. 1509), empregou elmos de prata e de ouro sem um critério aparente (tal como, de resto, o fez depois António Godinho no Livro da Nobreza e Perfeiçam das Armas); mas a regra heráldica, comum a diversos países, é a da exclusividade do uso de elmo de ouro pelo Rei. |
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Armas de D. Manuel no Livro do Armeiro-Mor (c. 1509). Note-se que o elmo, que, correctamente, é de ouro e coroado, deveria estar de frente... |
| Assim, na armaria portuguesa, o elmo é quase
sempre de prata, aberto, guarnecido de ouro. Era esta a regra para os
nobres de mais de três gerações; os recém-nobilitados, até à terceira geração,
usavam elmo de prata, cerrado, guarnecido de ouro. O elmo pode ser coroado, quer pela coroa real, quer por coronéis de titulares; mas este uso é raro na heráldica portuguesa. |
A posição normal do elmo é assente sobre o topo do escudo, virado a três quartos para a direita do mesmo. O elmo de frente, como vimos, é exclusivo do Rei; o elmo voltado para a esquerda indica normalmente bastardia, mas é de uso raríssimo. Igualmente rara hoje em dia, mas possível, é a representação do elmo de perfil. |
| Quando o escudo estiver colocado ao ballon, ou seja, inclinado para a direita, o elmo deve manter-se vertical e assentar sobre o canto esquerdo do escudo, aquele que fica superior. O que nunca deve acontecer, em termos de desenho heráldico, é o elmo ficar suspenso no ar, flutuando sobre o escudo. |
| A heráldica francesa estabeleceu regras pormenorizadas para o
desenho dos elmos, atribuindo significados específicos à cor do forro, ao número de
grades da viseira e outras minúcias mas tais regras não são observadas em
Portugal. O desenho do elmo é completado pelo virol, a Coroa do grau de Cavaleiro, e pelos paquifes, uma plumagem que trazia sempre as cores da família ou do clã ao qual pertencia o nobre.
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